Sobre o atual momento que as restrições sociais tem imposto a humanidade

A briga entre a esquerda e a direita é uma guerra de diferentes perspectivas da mesma ilusão, conforme o mundo precisou ser apresentado as mentes ainda carentes de discernimento. O falso caminho do meio, representado na política como “centrão”, é reflexo de um verdadeiro jogo de interesses e ilusões.

As pessoas menos culpadas se posicionam aos extremos, ao oposto do que acreditam nada dever, enquanto os maiores responsáveis jogam com os dois lados, tentando manter o controle, por intermédio de um falso equilíbrio.

Enquanto houver ego e apego por perspectiva, não haverá discernimento. É justamente por isso que os verdadeiros culpados geram essa divisão. Eles não gostam de nada do que a direita ou esquerda defende, eles gostam de estar acima das pessoas que são incapazes de refletir, escravizando-os pelo próprio egoísmo.

Existem dois tipos de egoístas, uma minoria que faz qualquer coisa para ter abundancia material e a grande maioria que aceita qualquer coisa, para defender suas premissas.

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Este não tem sido, senão por um ou outro post antigos, um espaço onde se tenham travado acaloradas discussões políticas, e eu confesso que isso me foi motivo de alívio, principalmente durante a grande cisão pela qual o Brasil passou ano passado. De toda forma, nesse momento acho a discussão bastante válida.

Devo dizer que durante muitos anos não tenho sido exatamente o que se poderia chamar de um democrata, isso pelo simples fato de que não acredito na democracia ou, ao menos, não nela assim conforme a vivenciamos hoje no Brasil. Não acredito que um povo inculto consiga eleger bons governantes, e muito menos tenha a capacidade de fiscalizar o seu governo. O que nós vivemos não é uma democracia, mas uma “demagogocracia”, na qual vence o aparentemente mais simpático, o que melhor ilude, aquele que cujas propostas mais seduzem.

Numa democracia real respeita-se a Constituição e o povo tem os seus direitos assegurados, vive bem alimentado, bem protegido, com acesso à Saúde célere e de qualidade e, o mais importante de tudo, é muito bem educado e instruído (e note que são coisas diferentes). Cidadania é algo que se aprende desde pequeno, e está presente em tudo na vida, no jeito como você acondiciona o seu lixo, na forma como estaciona o seu carro, como se comporta no trato com as pessoas e, é claro, nos parâmetros que usa para escolher os seus representantes.

Quando escolho quem ME representa em detrimento daquele que representa o meu próximo devo estar muito ciente de o quanto a minha demanda é mais importante do que a dele, pesando ambas com imparcialidade pensando no melhor para a coletividade, e não apenas com interesse egoísta. Até onde o preço da minha vitória é razoável? Até onde consigo conviver com o peso da derrota do meu irmão? Que tipo de sociedade eu quero, uma que valoriza a vida e a dignidade humana, na qual as pessoas se importam umas com as outras e se auxiliam mutuamente, ou uma sociedade rival, que dá mais valor ao dinheiro e acúmulo de posses, onde a competição é estimulada muito mais do que a cooperação?

Como já não sou mais um menino, já tendo passado um pouquinho dos vinte (de esquina!), não tenho mais a fantasia pueril da ascensão de um Rei-Filósofo, assim sendo, quero crer que seja apenas e tão somente pela via da educação que conseguiremos nos aproximar de uma democracia ideal. Quando aprendermos que temos direitos e deveres - ambos inalienáveis - , e que temos que cobrá-los e cumpri-los (ambos!) com unhas e dentes, talvez tenhamos a capacidade de eleger pessoas que sejam empregadas do povo e com ele comprometidas, e não lacaios subservientes de banqueiros ou megaempresários.

Passamos por uma crise que exorbita o âmbito político, tratando-se sobretudo de uma crise moral e pessoal. E isso é bom; antes a crise do que nada. Estou otimista.