Algumas considerações sobre a Máxima: "O Amor é a Lei, Amor Sob Vontade".

A muito tempo queria fazer uma reflexão sobre esta frase e hoje a tarde tive um tempo no trabalho para escrever alguma coisa. Vou postar aqui para nossa discussão.

Att

Yezide.

Algumas consideração sobre a Máxima Thelêmica: "O amor é a lei, amor sob Vontade".

Não seria qualquer Amor a Lei, mas um Amor sob Vontade. Ou seja um amor sob o domínio da vontade;ou um amor por vontade. Um Amor sem vontade, seria a subjugação da vontade pelo amor; seria "Vontade Sob Amor". Uma forma de escravidão. Ou, ainda, se a palavra escravidão ressoou forte, seria um Amor que possui a pessoa sem a vontade desta. E isso seria possível? Como pode uma pessoa amar sem ter vontade? Então, aqui entra a explicação da "Vontade" para os thelemitas, ou seja, a Vontade Verdadeira, o caminho. Logo o Amor deve ser submetido ao caminho, uma possibilidade deste e não um entrave a ele. Se "Não existe deus senão o Homem", nós devemos "amar a deus acima de todas as coisas", e se o Homem, em seu ser mais profundo é o Todo, devemos amar o Todo acima das partes. Se a pessoa não ama o Todo acima das partes, se ela divide as marcas do espaço dizendo que são uma ou são muitas, se ela escolhe isso em detrimento daquilo ela pode sofrer os julgamentos da Totalidade, ou seja, ela pode perder o seu amor que foi direcionada a uma parte do universo (pessoa, ideia etc), pois as partes sempre são passageiras e "imperfeitas" se comparadas a Totalidade (Se isso não estiver correto, se vós confundis as marcas do espaço, dizendo: Elas são uma; ou dizendo, Elas são muitas; se o ritual não for sempre para mim: então esperai os terríveis julgamentos de Ra-Hoor-Khuit! - Liber Al)

A maioria das pessoas são possuídas pelo amor. Onde surge expressões como "o amor é cego", ou que "agente não escolhe amar". Segundo a máxima thelêmica (conforme eu entendo, pois cada um de nós é um Universo), nós devemos escolher o amor e o controlá-lo e não estar sob os domínios dele, ou seja, o amor deve trabalhar para nós e não nós para ele. E, como dito acima, este amor deve ser para a Totalidade (segundo thelemítas, para Nuit). Então, nós devemos escolher amar, e amar em função da Vontade, ou melhor, amar em função do Todo (pois a expressão da Vontade diz respeito a Grande Obra Universal). Logo, amar sob vontade é amar porque se quer amar, e não devido ao mandamento de um deus, não por piedade ou dó, não por carência, não por fraqueza, assim, então, o amor é escolhido como Lei. Pois se quisermos poderíamos não amar e viver no estado conhecido como "Secura", uma ausência total de sentimentalismos. Como dizia Nietzsche "Vocês querem ser felizes ou tristes? Ou indiferentes a estas mudanças de estados?"Então, se queres amar, que o amor seja sob vontade.

"Nem permita que os tolos confundam o amor; pois existe amor e amor. Existe a pomba, e existe a serpente". (Liber Al Vel Legis). O amor é somente uma palavra que pode nos remeter a várias situações. Existem vários tipos de amor. O amor sexual, o amor fraterno, o amor religioso, o amor a coisas materiais etc. Amor é atração com prazer. Ou somente atração. O ódio é da natureza do amor também. Como assim o ódio é uma forma de amor? Ora, se você odeia algo, só odeia porque ama alguma outra coisa. Se você ama uma pessoa, você odeia que façam mal para ela, e este ódio é em função do seu amor por aquela pessoa. Então, odiar algo é amar outra coisa que não este algo. Amar a tudo em função de si, quando si mesmo estiver em função do Todo, seria uma boa máxima de amor. Bem, seria interessante se o leitor estudasse o simbolismo da "Pomba e da Serpente", para entender as duas espécies de amor citadas em Liber Al. A Pomba é um animal de Vênus. É um simbolo da Paz. Do Espírito Santo. É um animal alado, pode remeter ao céu, a fertilidade, ao branco e o Verde e, assim ao vermelho e o Negro ou cinza (cores complementares).Não sei o valor numérico da Pomba e nem sua origem etimológica. Mas o número de Vênus é 7, e do Espirito Santo é 300, letra Shin hebraica, que significa dente (cabalista que lerem este texto por favor me corrijam se eu estiver errado em minhas associações). Já a Serpente está ligado ao conhecimento. Ao caduceu de Hermes. Também a Oroboros (a cobra que morde o rabo). É um animal que rasteja no solo. Venenoso. Mas, como diz Hadit, "O ato de soletrar está morto; tudo não é qualquer coisa. Cuidado!" E, também, "Todo número é infinito, não há diferença". Estou dizendo isso pois um bom engenho poderia associar a "Cobra com a Pomba" em um certo sentido talvez relacionado ao "Espírito".

Então, mais uma vez, "O amor é a Lei, amor Sob Vontade".

(Comentário removido pelo administrador)

Quase tudo certo. :)

Ah ethar, faz algumas considerações ae?! :)

Muito interessante, eu escolho na minha vida o amor.

É, ( não leve muito certa essa tua linha) ;)

Então,

Explicite o que podemos consertar neste pensamento.

Algo que ficou de fora no Texto foi a prática do Amor sob Vontade, ou seja, o Sexo.

Mas, digam-me o que não deve ser levado muito a sério nesta linha de pensamento.

Não tenho nada com essa conversa de vocês, mas é a segunda vez neste sítio que noto a afirmação de que "Amor sob Vontade" significa necessariamente sexo; o que, na minha opinião, não procede.

Eu não creio que se deva fazer uma leitura tão primária do axioma thelêmico, pois entendo que ele seja expressão de uma verdade um tanto mais profunda e complexa, e aplicável à Natureza como um todo de uma forma bem mais abrangente do que ao sexo simplesmente.

O Sexo pode até ser também uma da interpretações possíveis (e, de fato é), mas não é a única e nem tampouco a principal, mas sim uma referencia secundária, ou até terciária dependendo do ponto de vista.

Também acho, Aluvaia, que "Amor Sob Vontade" significam várias coisas, inclusive o Sexo.

Sobre este aspecto aplicável à Natureza, tem uma passagem do Liber AL que diz:

28: Nenhuma, sussurrou a luz, lânguida & encantada, das estrelas, e duas.
29. Pois eu estou dividida por causa do amor, pela chance de união.
30. Esta é a criação do mundo, que a dor da divisão é como nada, e a alegria da dissolução é tudo.

Nuit não é Amor. Ela é melhor "definida" como Nenhuma. O Amor pode ser uma das suas possibilidades. Não existe um conceito que defina Nuit, um nome ou uma qualidade, pois ela é contínua. Ela é o Céu, o Espaço infinito e tudo que está contido nele, e isso não pode ser limitado em um conceito. Então ela é tudo, e, por isso, qualquer coisa, e, Nada. Então, me parece que a Natureza não é Amor. Mas o Amor pode ser uma das possibilidades da Natureza. Dizer que os elementos da natureza se unem e se dividem por Amor seria atribuir uma qualidade (somente uma) para a natureza. No §29, Nuit diz estar dividia para que haja amor, para a chance de união. No § 28, parece remeter a um processo de divisão de Nenhuma, e que o Nada sussurra a Luz das Estrelas. Então "atributos" de Nuit como a Alegria, êxtase e amor são resultado das suas relações e divisões e não sua natureza em si. O Amor, êxtase e alegria pela existência são resultados de Hadit ardendo em nossos corações; quando a centelha de vida se regozija pela vida; quando a existência se mostra pura alegria para o vivente. Quando a pessoa ama existir, quando a pessoa atinge este estado de beatitude de amor, então a existência é pura alegria para o vivente, mas ela não é somente isso, pois ela é Nenhuma. No § 30, ela fala sobre a criação do mundo, como se houvesse um tipo de dor pela divisão (aqui existe um conceito interessante para a biologia e física, o fato da natureza se dividir e se multiplicar). Sobre esta dor de divisão eu lembrei das dores de parto. Mas a dor da divisão é como nada, e a alegria da dissolução é tudo. Existe uma alegria da dissolução, "quando Osiris é despedaçado por Seth e Isis junta seus pedaços e Tahuthi lhe devolve a vida". Existe uma alegria em se dissolver no Todo. Isso deve se remeter ao fim do Ego e da individualidade, algo relacionado ao Abismo de Daath.

Bom, quanto ao sexo ser feito com um propósito de vontade. Acho que um bom observador de si mesmo, poderá perceber da força e implicações do sexo fisicamente e psicologicamente. Mas, devemos ter cuidado para não tirar do sexo sua naturalidade e animalidade e divinizá-lo demais e ficarmos receosos quanto ao seu livre curso. Existem várias maneiras de se fazer sexo. (tudo isso é minha opinião, é claro)

A Lei é Faze o que tu queres.

Att

Valeu, Mestre do Templo!

De nada!

Mas eu não sou um Mestre do Templo. Eu não pertenço a nenhuma Ordem que use este Título.

"Primeiramente quero que tu saibas que experiência e
perfeição espiritual não dependem necessariamente de progresso
em nossa Santa Ordem. Mas para cada homem existe um
caminho; há uma Constante e há uma Variável."
(Liber 111 Aleph, cap. 'Apologia')