Crianças e thelema

Alguém tem alguma experiência em inserir crianças na prática ritualística cotidiana? Eu tenho uma filha de 4 anos, então eu fiz uma adaptação do Liber Resh para realizar com ela. Alguém possui alguma experiência do tipo que possa relatar?

Não tenho experiências desse tipo. Mas com um filho pequeno, o que creio poder dar a ele até ter discernimento se ele vai querer ou não fazer alguma prática do tipo um dia, é dar uma noção da aplicação da Lei nas questões do cotidiano.

Boa noite. Olha, vou te dar um conselho: nunca ensine rituais para crianças. Não importa suas intenções, a sua filha pode um dia falar para uma professora ou para um colega que vai falar para os pais que você está ensinando rituais para ela e a cultura brasileira é fortemente evangélica e avessa às nossas práticas. Então para que você não passe a impressão errada pare imediatamente de ensinar isso e se contente em tirar possíveis dúvidas que ela tenha conforme for crescendo. Se você quer educá-la você pode comprar aqueles almanaques Wicca e livrinhos da Eddie Van Feu quando ela tiver uns 12 anos. Na idade atual você pode instruí-la com arte, por exemplo dar o tarô de Marselha ou algo de temática infantil ou natural (o de Crowley é de temática adulta) para ela desenhar e pintar, livros do Harry Potter, Contos de Fada, filmes da Disney etc. Uma boa forma de educar também é ensinando poesia e o estudo dos mitos gregos, nórdicos e celticos. Mas rituais…jamais ensine para uma criança, nem para adolescentes, somente para maiores de dezoito perfeitamente capazes de juízo próprio.

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Obrigado pelas considerações. Eu tomo como uma grande responsabilidade minha a instrução da minha filha, porque as influências são muitas e poucas são boas, estou falando de cultura e consumo e todos os parentes, escola e mídia que incentivam todo esse lixo, então eu procuro ser influente na vida dela. Conheço os riscos inerentes a ensinar outra coisa para uma criança que não seja o cristianismo, mas vou ser bem sincero, eu não me preocupo muito com isso, porque não estou cometendo um erro, e não podemos retroceder diante do retrocesso. Não devemos temer, nós somos os agentes de uma nova consciência, estamos estabelecendo os alicerces do futuro, se retrocedermos diante da perseguição não seremos agentes da mudança. Mas a minha preocupação é a maneira certa de ensinar uma criança.

Eu nunca quis ensinar ativamente práticas esotéricas para o meu filho porque quero que ele decida por si só quando for adulto, mas as crianças enxergam o que a gente faz… quando ele insiste em repetir alguma prática que eu faço, eu conduzo um Resh só com a primeira adoração ou um Ritual Menor do Pentagrama de Banimento sem ferramentas e sem vibrar os nomes.

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Eu também não estipulo nenhum tipo de compromisso por parte da minha filha, mas algumas vezes convido ela pra fazer o Resh, as vezes ela quer fazer e as vezes não, as vezes é ela quem me chama também. Eu fiz uma adaptação da primeira adoração, sem os nomes das divindades, somente com os conceitos e virtudes abordadas com o sol, é claro, como papel central.

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Minha filha sempre amou o Resh. Eu ritualizo com ela “por perto” desde que ela nasceu, justamente porque nunca tive a escolha de “deixá-la com alguém pra praticar”. Nunca forcei que ela “aprendesse”, ela sempre esteve próxima e curtia do jeito dela. Com ela por perto, eu já fiz o Resh rindo, pulando e dançando e fluiu de forma bela e animada, assim como Banimentos também.

Em “Khabs Am Pekht” o próprio Crowley afirma não haver problema em crianças viverem Thelema, se assim quiserem. Certamente, a palavra do pecado é restrição e é certamente melhor que a criança brinque e se quiser “fazer um ritual” que faça isso por mera inclinação pueril e brincante e nunca como obrigação. “Nunca ensine rituais para crianças” me parece algo austero e que envolve uma atmosfera de que “magia é algo muito sério e inacessível a certo grupo”. Crianças fazem magia e como; não é a toa que o Espírito juvenil que a criança traz consigo está no Atu do Louco - 0 e Ra-Hoor é a criança coroada do Novo Aeon.

Pela minha experiência, não existe problema. Apenas claro, respeite e dignifique a criança e caso ela se sinta desconfortável, contemple-a, como em qualquer situação da “vida profana”.

Por último, passei por uma determinada etapa da iniciação da Astrum Argentum com minha filha, na época com 2 anos, dormindo no meu colo. Foi belo e forte. De lá pra cá, segue como uma criança saudável e feliz.

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Acho que criança não é hora pra isso ela tem que ser adulta acho não está formada ainda para pegar um sistema tão pesado.