Diferentes meios de conversação com o SAG

Caros frateres, sorores, etc…
Além do Livro de Abramelin, do Liber Samekh entre outros livros da A∴A∴, gostaria de conhecer outros livros cujas fontes falam sobre outros meios de contato com o SAG, ou relatos, etc…(Se existem e são confiáveis)
Esse pergunta surgiu de um dialogo que tive, onde o questionamento foi como seria possível entrar em contato com o SAG sem poder fazer os rituais hoje em dia de Abramelin, ou sem fazer parte da A∴A∴.
Só lembrando que não quero desmerecer os livros citados ou querendo receber receitas de bolo, só quero saber se existem diferentes visões sobre como alcançar o mesmo fim. Ex: Como um praticante de magia do caos faria para alcançar a conversação com o seu SAG?

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Além do Livro de Abramelin, do Liber Samekh entre outros livros da A∴A∴, gostaria de conhecer outros livros cujas fontes falam sobre outros meios de contato com o SAG, ou relatos, etc…(Se existem e são confiáveis)

Pois é, quanto a isso, antes de mais nada, cabe dizer que não existe uniformidade de opiniões no que tange à Natureza tanto dessa operação, quanto deste, digamos, “Ser”. Temos aqueles que acreditam que o ser humano tenha uma determinada “entidade” independente dele (ou não) com a qual seja possível fazer contato; outros acreditam que esse contato seja com algo interno no homem, uma espécie de “Natureza” ou “Self” Real (e nesse caso não uma entidade); temos ainda os que creem na existência dessa “Natureza” mas não na capacidade humana de um contato genuíno com a mesma; e há ainda os que não acreditam que exista uma Natureza ou um cerne ao entorno do qual se mova a criatura humana, mas sim algo quase com uma espécie de consciência projetada para além de si em um algo amorfo eternamente mutável, um “estar sendo” ao invés de “Ser”. Enfim, cada um tem sua teoria e sua versão da história.

Ainda assim, uma vez que admitamos a possibilidade de algo como essa experiência, creio que não será exagerado dizer que toda a Busca Mística se resume a esse Casamento entre o humano e o Divino que existe no Homem, ou seja, toda história e alegoria místico/religiosas são, em maior ou menor grau, representativa dessa experiência de Comunhão, cada qual, claro, com a linguagem de sua própria época. Para o estudante moderno de magia em especial, sempre gosto de citar o “João São João” por se tratar de uma obra descritiva de um relato de consecução realizado, ao contrário do que seria de se esperar, não em um retiro mágico, ou em uma peregrinação épica, mas numa cidade grande e vivendo-se uma vida relativamente “normal”, o que é a situação de 99% dos Buscadores de hoje, ou seja, nos dá alguma esperança.

Esse pergunta surgiu de um dialogo que tive, onde o questionamento foi como seria possível entrar em contato com o SAG sem poder fazer os rituais hoje em dia de Abramelin, ou sem fazer parte da A∴A∴. Só lembrando que não quero desmerecer os livros citados ou querendo receber receitas de bolo, só quero saber se existem diferentes visões sobre como alcançar o mesmo fim.

Sinceramente, acho que Abramelim é arcaico. Entretanto, essa absolutamente não é uma experiência dependente dessa ritualística especificamente, aliás nem sequer de ritualística mágica alguma, sendo a magia uma das pontes, não a única. Se por acaso não existisse Abramelim, ou mesmo se não existisse a magia em si, estaria perdida para todo sempre a experiência de Comunhão com o SAG? Claro que não!

Ex: Como um praticante de magia do caos faria para alcançar a conversação com o seu SAG?

Existe um consenso meio equivocado sobre o que seria a tal “Magia do Caos”, ou talvez o equivocado sobre o esse conceito de magia seja eu, mas ocorre que vejo muitas pessoas se referindo à mesma como se fosse um conjunto de práticas específicas (sigilos, criação de servidores, etc.) quando não é isso, ou pelo menos não só isso. Magia do Caos, ao menos segundo eu a compreendo, nem magia não é, ela seria algo como uma espécie de proto-magia ou ainda melhor, um proto-sistema mágico.

O magista do caos está para a magia como o contra-regra está para o cenário (seja este qual for). É como um jogador de futebol que, em determinado momento, troca a camiseta vermelha pela azul e, nesse processo, se convence de que o azul é melhor, e logo depois pode trocar a azul pela verde e se convencer de que melhor mesmo é o verde… tudo isso independentemente da paixão do torcedor, já que ele não é torcedor. E assim como jogador não tem time, magista do caos não tem crenças, é o ateu rezando e se emocionando de verdade diante da resposta do Divino, mas continuando ateu já que Deus não existe!

A chave da magia não está nem nas palavras, nem nos sigilos, e muito menos em qualquer tipo de conhecimento intelectual, a chave da magia está na emoção do magista, em sua capacidade de se maravilhar e se deixar absorver pelo maravilhoso.

Então, respondendo à sua pergunta de “como um praticante de magia do caos faria”… Eu diria que ele faria de um jeito que funcione (qualquer um, desde que funcione!).

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Boa noite.

  1. A obra mais aconselhável é, normalmente, o Liber Samekh porque é o ritual mais “elástico”, mais puro e despido de preceitos religiosos, a partir dele você pode montar o teu ritual particular. É complicado buscar livros a respeito porque, normalmente, eles irão se apoiar ou no Samekh ou no Abramelin ou na Árvore da Vida [se forem sérios] e isso você mesmo pode fazer; se não forem sérios então se basearão em ideias particulares de cretinos que só querem o seu dinheiro vendendo livros; livros com relatos são, na maioria das vezes, falsos porque o Adepto nunca deve revelar sua consecução com o SAG para outras pessoas, neste caso a prova da consecução são os frutos da árvore e não o que ela diz ter experimentado.
  2. É possível para qualquer homem ou mulher obter o conhecimento do SAG sem “pertencer” à A.’.A.’. mas tendo obtido este conhecimento o Irmão certamente já será um membro da A.’.A.’. , mesmo que não oficializado num documento. O sistema finalizado por Crowley é apenas um dos métodos para isso.
  3. No meu entendimento você pode entrar em contato com o teu SAG quando desejar, basta queimar a si mesmo em louvor a Deus para o Anjo aparecer.
  4. Existem visões, métodos distintos.
  5. Minha visão da Magia do Caos é semelhante a que foi dita pelo Irmão Aluvaia. Na minha opinião é um sistema produto da era da informação, da internet onde tudo tem que ser rápido e prático. Vou dar um exemplo pra ti: o teste de asana proposto por Crowley para se assumir o grau de neófito é o seguinte: coloca o probacionista no asana, põe uma xícara cheia de água sobre a cabeça dele. Ele deverá permanecer por 1 hora assim sem deixar cair uma gota, se ele obtiver sucesso nisso então ele terá tido uma “maestria” adequada…para o grau de neófito. Já o Liber MMM propõe que você adote uma postura qualquer e considera que o domínio adequado é 15 minutos…percebe a diferença? Essa aplicabilidade prática, focada no depressa, no imediato, no resultado, é um convite à falha, ao erro e portanto um obstáculo à consecução do SAG. O foco demasiado em servidores, em quarenta servidores que são formas pensamento criadas por outro cara, só pra tentar obter algum poder de egrégora, também demonstra que o objetivo desse sistema é outro. Se queres elevar-se até o Caminho de Samekh então acho melhor você buscar em outro lugar, em Thelema por exemplo.

É impossível estabelecer regras precisas pelas quais um homem pode alcançar o Conhecimento e Conversação de Seu Santo Anjo Guardião; pois este é o segredo particular de cada um de nós; um segredo que não é para ser contado ou mesmo adivinhado por qualquer outro, seja qual for seu grau. É o Santo dos Santos, do qual cada homem é seu próprio Alto Sacerdote, e ninguém conhece o Nome do Deus de seu irmão, ou o Rito que O invoca. (Uma Estrela à Vista)

Aleister Crowley, Frank Bennett, Karl Germer e Phyllis Seckler não atingiram o C&C do SAG estritamente pelo método do Livro de Abramelin, ou Liber 8, ou Liber Samekh (embora Samekh seja propagandeado com o método empregado pela Besta e adaptado para Progradior, os diários dão informações divergentes).

Cito aqui um pequeno trecho do Equinox onde Crowley fala sobre o SAG em outras tradições:

Os teosofistas o chamam de Self Superior, Observador Silente ou Grande Mestre.

A Golden Dawn o chama de Gênio

Os gnósticos dizem o Logos.

Zoroastro fala sobre unir todos estes símbolos na forma de um Leão – vide os Oráculos Caldeus.

Anna Kingsford o chama de Adonai (Vestido com o Sol).

Os budistas o chamam de Adi-Buddha — (segundo H. P. B.)

O Bhagavad-Gita o chama de Vishnu (capítulo xi.).

O I Ching o chama de “A Grande Pessoa”.

A Cabala o chama de Yechidah.

Se existem N definições de SAG, existem N métodos para alcançá-lo. Abramelin, Samekh e Liber VIII são só algumas das opções.

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Gostei das explicações de todos.

Muitas das respostas eu já tive contato com ideias parecidas, mas é bom ler novas opiniões.
Quanto a questão do praticante de magia do caos que levantei, uma possível interpretação poderia ser a de que o foco imediatista e na aplicabilidade prática, são inconvenientes á conversação com o SAG?
Sei que em teoria qualquer pessoa usando métodos próprios poderia conseguir tal feito, mas uma questão interessante seria, uma pessoa pode pegar por conveniência diferentes métodos de várias práticas diferentes e juntá-las para ter o mesmo resultado, ou é inconveniente essa mistura de práticas e egregoras todas ao mesmo tempo?
Desculpa a ideia um pouco vaga das questões, mas creio ser o básico para o entendimento e discussão.

Quanto a questão do praticante de magia do caos que levantei, uma possível interpretação poderia ser a de que o foco imediatista e na aplicabilidade prática, são inconvenientes á conversação com o SAG?

Não necessariamente. O que diferencia, por exemplo, o caminho Mágico do caminho Místico é justamente um certo “imediatismo” por assim dizer. Enquanto o magista se demora serpenteando pela Árvore, o místico a galga de maneira retilínea. Em miúdos, o místico quer de maneira imediata e sem mais delongas a Comunhão com o Divino, ao passo que o magístico aceita e deseja a experiência por inteiro.

Claro que com isso não estou dizendo que as coisas devam ser feitas de qualquer maneira ou que esse deva ser um passo dado apressadamente. Muitos ocultistas muito bons levam uma vida inteira de estudo e devoção e, muitas vezes, não alcançam essa consecução.

Sei que em teoria qualquer pessoa usando métodos próprios poderia conseguir tal feito, mas uma questão interessante seria, uma pessoa pode pegar por conveniência diferentes métodos de várias práticas diferentes e juntá-las para ter o mesmo resultado, ou é inconveniente essa mistura de práticas e egregoras todas ao mesmo tempo?

Magia do Caos não é uma metodologia mágica imediatista necessariamente, muito embora as práticas mágicas popularmente atribuídas e propagandeadas como sendo representativas da magia do caos sejam práticas imediatistas e rasas. Reafirmo que Magia do Caos não é sinônimo de magia de sigilação, por exemplo, muito embora esta possa ser compreendida como um fragmento dentro da prática usual daqueles auto-intitulados magistas do caos.

Magia do Caos é, na verdade e antes de tudo, uma estrutura de pensamento que despersonaliza os sistemas mágicos e, ao mesmo tempo, serve de base para todo e qualquer sistema.

E cabe ainda dizer que a Magia do Caos também não é uma colcha de retalhos, muito embora possa ser também isso. Trata-se simplesmente de entender que não é o continente que traveste os sistemas que faz as coisas acontecerem, mas sim o conteúdo, a crença genuína e o sentimento de devoção que ela é capaz de despertar.

é inconveniente essa mistura de práticas e egregoras todas ao mesmo tempo?

Magia não é salada. E mesmo com salada há de se ter critério. Senão vira o Vale do Amanhecer (nada contra, mas que vira, vira).

Sim, concordo sobre o que disse sobre magia do caos, mesmo a minha pergunta sendo um pouco rasa.

Principalmente nessa parte.

Infelizmente o que se vê em alguns blogs e sites que falam sobre a magia do caos é apenas uma pequena parte (podendo ou não ser bem superficial) de um sistema que pode ser muito complexo, e sobre a terceirização de servidores mágicos.

Boa noite.

“Quanto a questão do praticante de magia do caos que levantei, uma possível interpretação poderia ser a de que o foco imediatista e na aplicabilidade prática, são inconvenientes á conversação com o SAG?”

Minha opinião:

Em “Cartas aos Probacionistas” Crowley escreveu:

“Os atos essenciais são o retiro e a concentração - conforme ensinados pela Yoga e pela Magia Cerimonial”.

Estes são os elementos basilares. É impossível estabelecer regras precisas porque é impossível que um homem conceda essa iniciação para outro homem, falando claramente: ninguém pode dar a outro aquilo que não possui.
Observe o seguinte, se você tem como FOCO o utilitarismo da magia então, em algum momento da tua Jornada, você acabará mudando este foco ou deixando a magia de lado e virando evangélico. Porém isso não quer dizer que você não deva praticar teus rituais com intentos práticos, com certeza você pode e deve fazer isso.
O que você deve fazer antes é avaliar se o resultado prático irá te auxiliar a realizar tua Vontade, da qual o Anjo é o mensageiro metafórico.
Veja, para que tu se alimentas? Para nutrir o teu corpo. Para que nutres teu corpo? Para ter força, energia para trabalhar etc; para que precisas ter força e energia? Para realizar a tua Vontade.

Suponha que você precise de um emprego, então você decide empregar um método de sigilo ou goécia ou qualquer outra prática dentro da tua Arte. O emprego não é uma maneira de transformar tua força de trabalho em dinheiro que se tornará alimento?

Então, a prática voltada ao prático [hehe] não é prejudicial mas o foco nisso, na minha opinião, é sim. O imediatismo também é outra merda, o ideal é seguir o conselho do Crowley: sente-se, cale a boca, saia.

“uma pessoa pode pegar por conveniência diferentes métodos de várias práticas diferentes e juntá-las para ter o mesmo resultado, ou é inconveniente essa mistura de práticas e egregoras todas ao mesmo tempo?”

Depende do que você quer dizer por egrégoras. No ocultismo uma egrégora é um tipo de corrente psíquica iniciada e mantida por um círculo de praticantes. Ela é mantida por práticas similares, símbolos em comum etc. Por exemplo a “corrente 93” é uma egrégora neste sentido, com práticas fixas especificadas em determinados horários e dias e noites etc.
Já um culto mágico como a Quimbanda é outra egrégora, sustentada por outras práticas, outro conjunto de crenças. Misturar egrégoras seria, por exemplo, dizer que vai chamar o Exu Crowley ou, em outro extremo, fazer um ritual para Osíris e chamá-lo de Jesus.
Agora, sobre práticas e métodos é outra história. Thelema é um sistema que, graças à engenhosidade do Crowley, nutre-se de práticas de egrégoras e tradições distintas. No mesmo sistema você tem os oito membros de Patanjali e as conjurações enoquianas do Doutor Dee.
Magia é Arte, você pode utilizar as “cores” ou práticas que considerar mais adequadas para o teu quadro. Mas, como a pintura, ela também é uma ciência, uma alquimia e você precisará estudar a luz, a ótica, as químicas das tintas, a filosofia do pincel [como na China antiga], a anatomia, a filosofia de Aristóteles, de Platão, de Hegel, para que seu quadro possa expressar devidamente àquilo que você entende como o Belo.
Enfim, moderação, inteligência, determinação…é por aí.

Deve ser a minha idade, eu já me tornei chato e tradicionalista hehe, não consigo ver com bons olhos a ideia de “adotar” servidores criados por outros caras e nem consigo me adequar à essa “bagunça” de ideias que jorram na internet sobre esta doutrina.

Mas, um brinde à Liberdade. :cocktail: