Pode-se tornar thelemita e/ou probacionista sendo de outra religião?

A uns 3 anos atrás comecei a estudar Cabalá judaica e hermética, e religiões principalmente africanas e umbanda, acabei entrando para uma terreira de umbanda e estou em desenvolvimento mediúnico. Até que me deparei com um livro chamado; os livros sagrados de thelema comecei a leitura, um tanto difícil a interpretação de alguns livros, mas as passagens que eu entendi"talvez da minha forma" eu senti como se fosse para mim, senti um avivamento…algo que não consigo explicar, uma atração pelo ocultismo ainda mais forte, eu já tinha ouvindo falar de aleister Crowley (só coisas ruins) talvez por isso não me interessava mas após ler!! Algo mudou e agora estou aqui e estudando e lendo muito mais, e gostaria de saber se mesmo sendo de outra religião é possível fazer os rituais. RMP ou rubi estrela, ou se apenas para iniciados da A.’.A.’.,?

Desculpem o texto longo…rsrs

Não pode. Quero dizer…até pode. Uma vez conheci uma probacionista que era evangélica - sim, existe de tudo no mundo. Só que uma hora você vai ter que se decidir, Thelema não precisa de outra religião para se apoiar - tradicionalmente acredita-se, no Brasil pelo menos, que um thelemita tem que ter uma raiz, quer dizer uma base religiosa distinta antes de entrar em Thelema, eu acho isso besteira.

Toda forma de religião tradicional se baseia na ideia de que existe um deus externo ao ser-humano. Cuidado. Aquele que adorou ao Sol adorou a Hadit: ERRO , pois Ele é o Adorador.

Sobre a A.’.A.’. , veja Ela mais como uma estrela dentro de uma grande constelação, assim como a O.T.O e outras organizações que aceitem o Al como Livro da Lei. Você não precisa fazer parte da organização A.’.A.’. para ser um thelemita mas, assim eu entendo, se você é um thelemita você já é um irmão da A.’.A.’. espiritual.

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Grato pela resposta irmão, o que mais me chamou atenção até agora é a filosofia de Thelema e os rituais, creio que o objetivo final que seria a Grande Obra é atingir o nosso melhor/maior estado de consciencia, trabalhando com meditações e os rituais. Seria isso?
Uma diferença que notei da Umbanda para Thelema, é que umbanda voce é o cavalo, o mediador de um ser/espirito exterior(ou arquétipo,ou alguma personalidade do seu inconsciente) que trabalha com pontos riscados e feitiços, o médium é usado naquele momento e depois descartado…e durante os dias da semana que voltamos para o cotidiano, nossa vida normal,não fazemos nada mais de trabalhos ou estudos para nossa evolução, eu vejo que somos usados uma vez por semana para quele fim,desenvolvendo o campo áurico para um ser ``usar teu corpo físico´´.
Em Thelema temos os Livros e praticas magisticas, Ritual do pentagrama, projeção astral,armas magicas: espada,calice,varinha pantaculo etc…
meditações para evoluir nosso Ser, nos tornarmos Magos, mestres de nós mesmos sem precisar ser um receptáculo de outra consciencia que por sinal NEM SEI SE É BENÉFICA…

Pelo pouco que sei, não existe impedimento de você, sendo Umbandista, participar de ordens de cunho Thelemita.
O caminho é longo. Você tem que ir estudando com calma, paciência e aí sim, quando descobrir sua Verdadeira Vontade, poderá dizer qual caminho lhe será mais consistente na realização da Grande Obra. Talvez só com Thelema, talvez na Umbanda, talvez nos dois ou em nenhum… O caminho é muito individual e somente vc poderá saber o que será melhor para si mesmo.
Mas, não tenha pressa nas suas escolhas. Estude, pratique, pondere. Não se limite em “tem que ser assim”, “tem que ser assado”. Minha humilde opinião.

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Exceção feita ao seu próprio senso crítico, nada impede que você ingresse na A.’. A.’. pertencendo a uma religião qualquer. Mas em algum momento será natural que abdique dessas crenças – ou da própria A.’. A.’. – , pois é certo que jamais sairá da A.’. A.’. como um integrante daquela sua velha religião.

A tendência é que sua compreensão a respeito do Divino, de Si mesmo e do Universo se modifiquem tanto com o passar do tempo, que naturalmente se produza uma terceira coisa – uma via religiosa Real e única –, e tanto mais irreversivelmente quanto mais perto estiver da porta de saída.

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Mais uma vez grato pelas respostas, eu conheço uma frase acho que até bíblica, de que não se pode servir a dois SENHORES ou DEUSES, que no meu ver remete a duas religiões/doutrinas diferentes, eu já estudei pouca coisa da árvore da vida cabalística e pelo pouco que sei,no meu entendimento é que tantos Deuses gregos,romanos,egípcios,nórdicos e africanos( orixás) se complementam há cada receptiva sephiroth, eu tenho a mente aberta para entender os arquétipos mas…e meus irmãos de corrente e meu pai de santo, será que aceitariam minhas ideias?
esse é meu receio, faço parte de uma casa tradicional de umbanda, tem hierarquia, mas o que sinto falta a nescidade é o que encontro em Thelema e nos liber, como pratica de meditação e trabalho interior,projeção astral etc…isso não aprendemos.
Enfim, eu vejo o modelo de ensino e hierarquia da A:.A:. baseado no diagrama da árvore da vida como um caminho,uma subida pra nossa evolução pessoal e espiritual.

Até onde eu sei a Grande Obra, num sentido amplo, é o objetivo de todo ser humano. Em sentido estrito, a Obra é o objetivo do seu juramento de grau, que pode levar vidas para se conquistar. No geral, qualquer caminho religioso pode te fornecer os meios para isso mas o sacerdócio normalmente corrompe essa função espiritual da religião para obter benefícios políticos, financeiros etc. Ao meu ver os rituais e meditações - magia cerimonial e misticismo - são métodos de se expandir a consciência sobre si mesmo, sobre seu ser.

A Umbanda em si eu não conheço a fundo mas quando mais novo participei de um dos ramos da Quimbanda. No caso, da quimbanda como culto e não como um braço da umbanda. O meu Tata na época tinha sido thelemita, um estudioso e praticante do ramo draconiano, aprendi muito com ele, mas, no final das contas, ele se decidiu pelo caminho da Quimbanda mesmo. Há muitos motivos para isso, mas eu particularmente penso que Thelema e outras correntes religiosas não se combinem.

A questão do médium…no caso da umbanda e cultos similares, a função é normalmente a de aconselhar. Você pode até servir um morto ou deus com tua carne mas a função principal é de que o deus possa servir, por teu intermédio, à humanidade, quer dizer, à comunidade do culto, dando conselhos etc. Isto é um tipo de Grande Obra e que poderá lhe trazer um bem. Você verá, conforme estudar, que um dos ramos da magia cerimonial, o da invocação, trabalha com conceito similar. O teu corpo é um vaso para o Deus ali invocado, interiorizado. A diferença é que um magista usa o deus - que também o usa claro - enquanto o religioso apenas é usado, com exceção de algumas linhas de culto como o da quimbanda e do palo mayombe.
No caso de Thelema, entende-se que o Deus invocado faz parte do seu Deus “interior” , que você é aquele Deus e Ele é você. É o verdadeiro caminho luciferiano, no qual o magista identifica a si mesmo como sendo um deus. Daí que é difícil servir um morto como um exu ou caboclo e também ter essa atitude thelêmica. Um quimbandeiro de verdade sempre se dobra perante sua nganga, um thelemita, a princípio, não deveria se dobrar perante nada. Mas não se pode separar como se fosse preto no branco, dobrar-se perante um fetiche pode ser um gesto ritualístico valioso…daí vai de cada um.

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@Mattias
93!
Primeiro vamos separar e pontuar algumas coisas.
Thelema pode ser tratada como filosofia, religiosidade, religião, aspiração, caminho a ser vivido, ideal, etc. Pessoas diferentes encaram a maneira de viver Thelema de formas diferentes, e embora ela tenha surgido (da maneira que conhecemos) dentro do meio Mágicko, você não precisa se vincular a nenhum grupo, ordem ou instituição Mágicka para se considerar Thelemita, basta apenas aceitar e seguir a Lei. E a lei é “faz o que tu queres”.
Sobre Thelema, da uma busca aqui por “guia de transformação Thelêmico”, eu realmente gosto de referenciar esse conjunto de Libris para esclarecer melhor o tema.

Já a AA é uma corrente de consecução espiritual que utiliza o ferramental mágicko. Ela é uma releitura de Crowley e Jones da Ordem Hermética da Aurora Dourada mas com o viés Thelêmico, ver Liber Causae.

O que ocorre é que vivendo Thelema, seja como filosofia, ou em algum sistema mágicko, existem certos preceitos básicos, e eles podem se chocar mais cedo ou mais tarde com dogmas das/de algumas religiões.

Quanto a seus pares aceitarem ou não suas visões de mundo, o que isso interfere ou não em seu desenvolvimento? Por que vc se preocupa com isso? São questões apenas para sua reflexão, não precisa responder.

Em tempo, um Thelemita não “serve” a nenhum Deus ou Deuses, ele constrói seu próprio caminho. E sobre Deuses, espíritos e outras coisas que podem existir ou não, sugiro a leitura de Liber O.

93, 93/93

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Podemos ser o que quisermos. Até podemos ser ladrões! :crazy_face:
Para a Igreja católica, a filosofia de Thelema está clara.
Para mim, Thelema é uma filosofia. É a via do meio. :pray: